#1 Cammaradas inspiradores

João Faro conta sobre o mercado da impressão 3D

A entrevista traz uma reflexão sobre como a tecnologia pode mudar a

vida das pessoas

João Pedro é engenheiro de produção, formado pela UFF. Além de sócio-fundador da Cammada, trabalha na Petrobras desde 2012 com gestão orçamentária, mapeamento de processos e desenvolvimento de indicadores. Nas horas vagas gosta de beber um vinho com os amigos e conversar sobre as contradições desse mundo louco.

Neste mês ele vai nos contar um pouco sobre a sua experiência sobre o mundo da impressão 3D.

João, como foi seu primeiro contato com a impressão 3D?

Meu primeiro contato ocorreu quando estava pensando em criar uma empresa inovadora. Eu me reunia semanalmente com amigos formados em Design e eles me mostraram vídeos de impressoras 3D. Inicialmente, achei uma coisa mágica, fantástica, uma oportunidade incrível de mudar o modelo industrial de fabricação que existe desde o século XIX.

Qual é a relação da impressão 3D com a indústria?

A impressão 3D é um novo processo de fabricação, é uma mudança de paradigma. A indústria tradicional funciona de dentro para fora, ou seja, seu corpo técnico utiliza tecnologias e patentes para desenvolver produtos a serem ofertados ao mercado consumidor. Tivemos avanços no século XX, com análise de demanda, produção puxada e processos just in time, mas ainda temos um fluxo de desenvolvimento da indústria para o consumidor.

No entanto, com os avanços tecnológicos na comunicação, nos softwares e nas redes, o desenvolvimento fora da indústria começa a ser altamente relevante. Hoje existem pessoas comuns, alunos, estudantes, profissionais autônomos, startups com capacidade de desenvolver produtos fantásticos de dentro das suas casas. A impressão 3D permite uma verdadeira mudança no fluxo de desenvolvimento, onde qualquer pessoa pode inventar um produto e produzi-lo.

O que você acredita ser o maior potencial da impressão 3d para o mundo?

No curto prazo, o maior potencial é a autonomia. Já parou pra pensar que o seu vizinho da direita é criativo e o da esquerda tem uma impressora 3D? Uma indústria menos centralizada irá gerar maior autonomia aos profissionais, seja para colocar a criatividade em prática, seja para ser menos dependente do modelo tradicional de fabricação.

Quais oportunidades de mercado essa tecnologia traz de bom para o Brasil?

O Brasil ainda está muito atrasado… Os profissionais que buscam inovação têm pouquíssimas opções aqui. A impressão 3D apresenta uma novidade ao brasileiro, que é um povo muito criativo.

Uma coisa boa para nós é que o mundo inteiro está aprendendo sobre a impressão 3D. Temos a chance de agarrar essa oportunidade e não ficarmos tão descolados dos EUA e Europa. É claro que eles já largaram na frente, em função do estoque de tecnologia que possuem, mas ainda tem muito espaço para crescimento.

Pensando no fator tempo, como você avalia a eficiência x eficácia da impressão 3D para uso em prototipagem?

A prototipagem é uma etapa essencial para validação de um produto em fase de desenvolvimento. É com o protótipo que o engenheiro se depara com os problemas da peça projetada. A impressão 3D abre um universo novo para testes. Primeiro porque o próprio projeto digital pode ser produzido sem nenhum tipo de molde e, segundo porque é extremamente rápido.

Um protótipo pode ser impresso em 3D em algumas horas e encaminhado ao departamento de testes. Se inconsistências forem verificadas, basta o engenheiro corrigir o modelo digital e solicitar nova impressão 3D do protótipo. Isso torna o processo de validação muito mais fluido.

O que você vê no mercado  de impressão 3D que tem ainda que evoluir?

Como toda tecnologia emergente, ainda há espaço para avanços. As impressoras 3D não são simples de usar como uma impressora de papel, é preciso de conhecimento técnico para operar. Com o tempo, acredito que se tornará mais fácil. Outro ponto é o tempo de impressão. Embora tenhamos tido avanços significativos nos últimos anos, esse é um fator a ser vencido para produção em média escala.

Conte um pouco sobre o valor agregado da impressão 3d.

A impressão 3D permite agilidade e flexibilidade, acho que esses são os maiores valores. Agilidade porque se você mudar seu projeto por qualquer motivo, basta imprimir outro mais inovador e atualizado. E flexibilidade porque você pode fabricar o produto que quiser, seu limite é apenas sua própria criatividade!

A tecnologia de impressão 3D cresce cada dia mais, qual foi a impressão que te surpreendeu nos últimos meses?

Vou falar de um projeto nosso, olha o jabá! Fizemos um trabalho muito bacana para uma matéria do Esporte Espetacular, na Globo. Pegamos uma sequência de imagens do gol do jogador de futebol Roger e imprimimos em alto relevo. Essa série de “fotos em braile” foram entregues a filha do jogador, que é cega. É emocionante o que a impressão 3D proporciona! A impressão 3D não é uma questão tecnológica, é uma questão de libertação criativa.

A impressão 3D está cada vez mais popular, transformando negócios e deixando a vida de quem depende de prototipagem cada vez mais fácil. Qual é o projeto que você ainda sonha em participar?

O projeto que eu sonho participar é a Cammada. Eu sonho é que todos possam viabilizar suas ideias. Acho que precisamos mudar nossa forma de sonhar, o “ter” precisa dar espaço ao “construir”. O ser humano é muito criativo pra ficar limitado às prateleiras.

 

 

#3 Protótipos impressos em 3d

Marcas que já usaram a impressão 3D e lucraram

A influência da tecnologia muda a rotina e desenvolvimento de seus produtos

Não é de hoje que a impressora 3D está sendo utilizada por empresas para criar peças. As impressoras 3D podem ter sido consideradas uma inovação há pouco tempo, mas a tecnologia tem se tornado cada vez mais importante não apenas na indústria, como uma forma de produzir produtos, mas também uma ferramenta de marketing para as marcas.

Os clientes estão incorporando a impressão 3D em suas ações de várias maneiras, algumas divertidas, e outras bastante úteis. A tecnologia conquistou o coração de algumas marcas e nós separamos 11 cases geniais para mostrar para vocês.

  • Coca Cola

EKOCYCLE é uma iniciativa do cantor will.i.am e da Coca-Cola dedicada à conceção de produtos criativos a partir de materiais como o plástico e, simultaneamente, promover a reciclagem e a sustentabilidade destes materiais. A sua ideia principal é uma impressora 3D que pode transformar garrafas pet de Coca-Cola em coisas úteis ou criativas, desde uma jarra até uma capa para telemóvel 100% sustentável.

A impressora amiga do meio ambiente possui 25 desenhos programados (brinquedos, sapatos, pulseiras e um grande et cetera) para a impressão. Esta foi uma iniciativa de 2014.

Foto: Reprodução

  • L’Oreal

Graças à pressão de grupos em defesa dos direitos dos animais, testes clínicos envolvendo bichinhos têm diminuído ao longo dos anos. Por outro lado, efeitos de cosméticos ou remédios ainda precisam ser extensamente avaliados antes que o produto vá para o mercado. Para tentar contornar este problema, a marca L’Oréal está investindo pesado para imprimir pele humana.

Parece bizarro, mas desde os anos 80 a empresa realiza pesquisas com sobras de pele de cirurgia plástica a fim de desenvolver novas tecnologias para testes de toxicidade e eficácia. Para tentar suprir a demanda por pele humana, a empresa fez uma parceria com a Organovo, líder em impressão 3d de tecidos humanos. A maior vantagem é a velocidade da produção e o nível de precisão que a impressão 3d pode atingir.

Fonte: Imagem do filme de Almodóvar A pele em que Habito

  • Adidas

Em 2017 a marca Adidas lançou um tênis com a sola feita em impressora 3D. A edição limitada, chamada de Adidas x Parley, foi feita a partir de plásticos reciclados retirados de redes de profundidade ilegal pela Sea Shepherd no Oceano Antártico. Apenas foram 50 pares disponibilizados para venda, e outros pares através de concursos no Instagram.

A Adidas se mostrou empolgada com o projeto, que pode resultar em novos produtos, uma vez que, de acordo com a empresa, o plástico retirado do oceano foi transformado em fibras de fios técnicos que podem facilmente ser integrados a produtos. O tênis é apenas um de uma série de inovações da marca buscando tecnologias mais amigáveis ao meio ambiente.

Rivais como Nike, Under Armour e New Balance também estão experimentando a impressão 3D, mas até agora têm usado a tecnologia apenas na produção de protótipos, calçados personalizados para atletas patrocinados e produtos de alto valor. Vamos torcer para que vire moda!

Foto: Reprodução

  • Nike

Em abril de 2018 a Nike estava presente no evento em Londres em uma parceria com o projeto colaborativo com o atleta Eliud Kipchoge – um dos corredores que tentou quebrar a maratona de menos de duas horas.

Seu principal feedback foi que a parte superior absorvia a água do sapato, tornando seus tênis mais pesados ​​à medida que ele percorria o percurso. Os designers da marca deram início a uma fase de prototipagem rápida, onde passaram por milhares de possibilidades superiores antes de imprimir variações para cada protótipo. O processo de design para os sapatos começa com dados retirados dos atletas, incluindo a marcha e a forma do pé. Isso não apenas significa um sapato feito sob medida, mas a Nike observa que, através da impressão, pode fabricar sapatos 16 vezes mais rápido do que em qualquer método de fabricação anterior.

Foto: Reprodução

  • Electrolux

A multinacional de eletrodomésticos, a Electrolux, está realizando um estudo de viabilidade para peças de reposição sob demanda feitas em impressora 3D que podem ser fabricadas e distribuídas sob demanda. O objetivo é reduzir os custos de estoque e os prazos de entrega. Com isso resulta em cliente feliz quando é necessária manutenção e reparo na máquina de lavar quebrada que não é mais fabricada, por exemplo.

As peças mantidas em estoques, geram custos trabalhistas e de manutenção. Além disso, algumas peças ficam acumulando poeira no estoque até que elas sejam descartadas e os custos podem aumentar se as peças não puderem ser fornecidas através de métodos de produção em massa. A Electrolux está explorando a possibilidade dessas peças serem feitas em impressora 3D.

Fonte: All 3DP

  • Versage  

As impressoras 3D entraram definitivamente no universo da moda. Estilistas inovadores e arrojados já estão utilizando o equipamento 3D para produzir looks diferentes e ousados, com combinações próprias. A criatividade é o carro-chefe desses designers de roupas modernas, que usam padrões geométricos para criar peças, como blusas que contêm detalhes feitos através da impressão 3D.

O último baile do MET tinha como tema Manus x Machina: Fashion in an Age of Technology. Respeitando essa ideia, a Versace criou para atriz, Kate Hudson, um vestido longo e branco inspirado nos modelos de noiva, e montado a partir de uma série de pequenas peças que foram feitas com a impressora 3D.

Fonte: Reprodução

  • Chanel

Os equipamentos mudaram a forma como os designers de moda estão trabalhando ao redor do mundo. As inovações estão surgindo no setor, que está sendo reativado através de possibilidades que não eram sequer imaginadas há alguns anos.

Iris van Herpen – Verão 2015 é o nome da coleção da Chanel, onde o desfile foi um destaque porque 10 looks da coleção foram criados usando a impressão 3D.

Fonte: Reprodução

  • Volkswagen

Em abril, o modelo Volkswagen Polo e a DDB Copenhague transformaram os consumidores em designers de carro. A campanha “The Polo Principle” convidou o público a assumir o controle, por meio da internet, da impressora 3D da montadora – a mesma usada na criação do modelo Polo original – para desenvolver sua própria versão do carro.

As 40 ideias mais criativas foram impressas e exibidas em Copenhague, em maio, e depois os designers puderam levar suas criações para casa. Mas o melhor ainda estava por vir: o grande vencedor viu sua criação se tornar um Polo de verdade.    

Fonte: Reprodução

  • Huggies

Com o avanço da tecnologia, hoje é possível que as mamães consigam ver o rosto dos seus bebês ainda no útero, graças ao ultrassom 3D. Porém, as grávidas que possuem deficiência visual só poderiam saber como são os seus bebês depois de nascerem.

Com isso, surgiu a ação #ContandoosDias para a marca de fraldas Huggies. A ideia era utilizar a tecnologia de impressão 3D para que as mães com deficiência visual possam “ver” seus bebês antes do tão esperado nascimento.

Fonte: Impressora Blog

  • DVV

A seguradora belga DVV e a Happiness Brussels mostraram quão útil a impressora 3D pode ser para os consumidores, em especial os esquecidos. A companhia criou o serviço “Key save”, que permite que os clientes digitalizem suas chaves e guardem os dados num servidor seguro.

Sempre que eles perderem suas chaves, eles poderão levar os dados até uma impressora 3D e criar uma nova. Esse é um benefício não só para os clientes, como para as companhias que perdem dinheiro anualmente repondo as chaves perdidas.

Fonte: Printer World

  •  Nokia

A Nokia também se rendeu a tecnologia e louçou uma iniciativa inédita entre fabricantes de smartphones: a possibilidade de “imprimir” capas para o Lumia 820. A companhia disponibilizou em seu site oficial toda a documentação e os arquivos necessários para que qualquer pessoa com uma impressora 3D possa substituir a traseira do seu smartphone.

Para John Kneeland, gerente de marketing para desenvolvedores da Nokia, a iniciativa pode permitir grandes avanços no futuro, especialmente no que diz respeito à personalização dos produtos. “[…] Você quer um celular à prova d’água, que brilha no escuro, com abridor de garrafas e um carregador solar? Alguém pode fabricar – ou você pode imprimi-lo sozinho!”. Ele está certíssimo! O futuro é todo nosso!!

Fonte: Reprodução