#3 Cammaradas inspiradores

Bernardo Clarkson conta tudo sobre o mundo do design

Em um breve bate papo já é possível inspirar designers dentro da impressão 3D

               Bernardo Clarkson é sócio-Diretor de Projetos, e Gerente de Projetos e Desenvolvimento de novos produtos na Açoforte Brasil. Ele tem formação em Desenho Industrial – Projeto de Produto, pela PUC-Rio, e Erasmus na ESAD (Escola Superior de Artes e Design), em Portugal.

                Bernardo é filho de uma estilista e um engenheiro, sendo assim, a mistura só poderia ser: designer de produto. Multidisciplinar desde criancinha, trabalha em diferentes empresas tendo experiência em diversos segmentos, como na área gráfica, embalagens, mobiliário, modelagem/renderização 3d e impressão 3d.                               

                 Bernardo sempre foi muito observador, detalhista, comprometido com tudo ao seu redor e, portanto, com os projetos não poderia ser diferente!

Ele é viciado em futebol (arte) e um constante observador das aleatoriedades do mundo, no entanto, já é um aposentado dos esportes de prancha. Hoje iremos conversar com ele sobre o mundo do designer.

Como surgiu o interesse pelo design?

Acho que meus pais me influenciaram muito nisso sem perceber. Sou filho de um engenheiro e uma estilista, acho que se misturar os dois surge o design de produto (risos). Minha mãe sempre foi uma entusiasta do design. Na casa deles é cheio de produtos que são pura inspiração para o design.

Desde pequeno eu adorava quando meu pai chegava com um lego novo, uma bicicleta, um eletrodoméstico ou qualquer coisa que tivesse uma montagem. Claro que o presente me deixava feliz, porém eu gostava mais do processo de montagem ao brincar com o produto em si. E durante a montagem eu ficava tentando entender como aquelas peças eram feitas e porque elas tinham aquelas formas. E ficava louco quando entendia alguma solução simples que fazia uma enorme diferença no produto. Além disso, eu sempre ficava imaginando onde poderia ter uma melhoria na relação entre o usuário e o produto.

Ao entrar na faculdade pude aprender um pouco mais sobre os processos de fabricação, mas só trabalhando nas indústrias que pude realmente entender o “porquê” das coisas e vi que estava no caminho certo.

Como começou sua trajetória e como foram suas primeiras experiências no mercado de design?

Eu sempre tive interesse pelo design de maneira ampla, cheguei a cursar design de produto e gráfico ao mesmo tempo (acho importante essa multidisciplinaridade e acredito que ajuda a exercitar a criatividade também). Comecei estagiando em algumas empresas até ser efetivado na Clever Pack, um estúdio de design dentro de uma fábrica de embalagens plásticas. Lá foi um grande aprendizado e foi onde comecei a perceber a importância das nossas ideias no dia a dia das pessoas. Criamos algumas tampas que, além de funcionais, tinham um tremendo impacto ambiental, no sentido da redução de lixo e processos poluentes. Chegamos a ganhar alguns prêmios nacionais e internacionais com esses produtos. Uma dessas tampas está exposta no museu do design em Londres 🙂

Depois de lá trabalhei como projetista em uma metalúrgica focada em mobiliário que foi onde eu tive meu maior crescimento profissional, por isso, depois que fui trabalhar no INT – Instituto Nacional de Tecnologia, onde trabalhei com projetos bem inovadores para a Petrobras, voltei à fábrica como Gerente de Projetos e Desenvolvimento de novos produtos e é onde estou até hoje.

Quais tipos de projetos você mais gosta de fazer?

Os projetos que temos liberdade de criação e podemos pensar em tudo, do inicio ao fim, são os que mais me motivam. Lógico que um projeto nunca é feito 100% sozinho! Mas o que quero dizer é que o cliente ou o chefe que nos dá essa liberdade de criação pode ter certeza que terá um trabalho muito melhor se confiar em nosso trabalho. Pois um projeto é como se fosse um grande quebra-cabeças, as partes vão se juntando para formar um todo. Ou seja, tudo tem que ser muito pensado para não atrapalhar o resultado final. Por isso, às vezes, uma solicitação fora de contexto, por mais que você explique, pode acabar com todo um projeto e conceito de um produto.

Como é o seu processo criativo?

Primeiro eu tento entender o que o cliente quer, pois muitas vezes nem é exatamente um produto que ele está querendo (risos). Mas busco o máximo de informações para saber quais são os principais requisitos necessários para atender à sua necessidade. Com as informações, começo a pesquisa de similares, para ter uma ideia geral do que já existe. E avalio os prós e os contras de cada um relativo ao projeto em questão.
Busco muito em referências fora de contexto para desenhar alguma peça ou detalhe no objeto. Acho que nossa cabeça tem que estar atenta e observando tudo a nossa volta, a todo o momento, por causa disso. Precisamos estar com a mente aberta e buscando novos conhecimentos para aumentar nosso repertório cognitivo. Tudo serve de referência para a criação de um produto! Adoro fazer desenhos abstratos quando estou no ócio criativo. Consigo tirar muitas formas e ideias a partir dali.

Então faço inúmeros sketchs básicos para escolher alguns poucos e passar para o modelo virtual. Que é aí que o cliente começa a entender melhor o produto e podemos partir para algumas alterações antes de enviar para a produção. E a impressão 3d entra exatamente aí, entre o virtual e a peça final, ela entra como um mockup ou protótipo, onde podemos ter um modelo volumétrico que nos dará mais noção do real.

Vamos falar sobre alguns dos projetos que mais empolgaram você.

Eu sempre gostei de desafios, portanto, já participei de projetos bem distintos em minha carreira. Mas no contexto de impressão 3d, acho que foi o tap handle da Cervejaria Hocus Pocus, pois é de uma marca de cerveja que eu gosto muito! E que nos obrigou a aprender algumas coisas de maneira rápida como sentido do filamento, resolução, tipo de preenchimento interno para dar mais resistência, etc. Tivemos que pensar numa forma de fixação da rosca e como trocá-la de maneira rápida e simples para poder usá-la em outras torneiras.

Outro projeto interessante foi o brinde para a marca de roupa feminina Acquawear, onde tivemos total liberdade para pensar no produto e conceito. O resultado ficou bem legal! 🙂

E teve uma para a Globo também, que fizemos um suporte para dois smartphones filmarem ao mesmo tempo. Nesse já criamos pensando em caso o cliente quebrasse uma peça no futuro, como ele poderia repor apenas entrando em nosso site, subindo o arquivo e pedindo a impressão da maneira mais simples possível!

Qual a importância do designer para a tecnologia da impressão 3D?

A impressão 3d não vive sem o designer e qualquer outro profissional que “alimente” ela. Ao meu ver, a impressão 3d é uma excelente ferramenta para diversas áreas, porém ela não é uma máquina industrial que produz a mesma peça em série. E acho que o grande diferencial dela é justamente esse, poder produzir peças específicas, personalizadas e únicas de maneira rápida. Então, precisamos de mentes criativas que estejam a todo momento criando trabalhos para ela, para que seja necessario estar sempre produzindo algo novo.

A pergunta mais batida do mundo… Mas vamos lá: Quais são seus maiores ídolos/ influências como designer dentro do mercado da impressão 3D? E por que?

Dentro da impressão 3d ainda não tenho ídolos, acho que é uma tecnologia muito recente para isso (risos). Mas acho que tem um ídolo meu que se daria muito bem com a impressão 3D, que é o Theo Jansen. Ele faz escultura cinéticas incríveis! Quem ficou curioso, dá uma procurada no nome dele.

Agora, influencias, tenho bastante, mas minhas preferidas no mercado de impressão 3D são a UAU Project (empresa polonesa que cria objetos impressos em 3D muito bonitos) e muita gente que faz peças incríveis e disponibiliza no Thingiverse. Tem muita gente boa lá!

Se pudesse prever o futuro, que tipo de avanço gostaria de ver no design para os próximos 10 anos?

No design… Acho que uma interação cada vez maior com a prototipagem rápida. Acho que isso pode crescer bastante nos próximos anos. Na nossa área de produto, essa tecnologia é muito útil e acho que é um excelente investimento de uma indústria, principalmente.

Que conselho você daria para as pessoas que querem começar a criar peças gráficas, especialmente criar peças dedicadas à impressão 3D?

Não coloque limites na imaginação. Imagine, sonhe, crie e nos conte esse sonho que nós materializamos ele pra você! 😉

 

 

Luísa

Agência de publicidade e propaganda

 

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