Visite sua primeira exposição impressa em 3D

O Museu de Astronomia e Ciências Afins, localizado no Rio de Janeiro, inaugurou no dia 1º de junho, a exposição 3D: Printing the Future.

A mostra está na vanguarda das apresentações brasileiras, contendo diversas obras fabricadas por impressoras 3D. A exposição permite que os visitantes possam observar mais de 100 peças e entender melhor o funcionamento dessa tecnologia, que está revolucionando a indústria mundial. O museu conta também com uma máquina trabalhando durante o dia, o que desperta ainda mais curiosidade nas pessoas.

O que a Cammada tem a ver com isso?

Fomos convidados para uma parceria com o Museu, com o objetivo de reunir peças impressas em 3D. Para isso, contactamos printers de todo o Brasil e eles participaram imprimindo e doando suas obras. Foi muito gratificante fazer essa campanha, pois podemos ver de perto a comunidade maker em ação. É fantástico presenciar as trocas colaborativas sem nenhuma movimentação financeira. Os printers que participaram tinham um único interesse em comum: difundir a impressão 3D no Brasil.

3D: Printing the Future

Não deixe de visitar. A mostra estará aberta até janeiro de 2018.

Museu de Astronomia e Ciências Afins
Rua General Bruce, 586
São Cristóvão – RJ

O funcionamento da exposição será de terça à sexta, de 9h às 17h, sábados, de 14h às 19h, e feriados, de 14h às 18h. A entrada é gratuita!

 

Comunicação Produtiva (ou, Impressão 3D e a nova Revolução Industrial)

A popularização da internet possibilitou — e vem possibilitando cada vez mais — uma maior troca de informações entre as pessoas. De qualquer lugar do mundo um internauta consegue acessar o Google ou diretamente o Wikipédia e consultar informações variadas, não deixando nenhuma dúvida para depois ser tirada na Barsa. Com o surgimento das redes sociais, esta relação de troca se tornou ainda maior. Hoje em dia, uma plataforma social permite que cada indivíduo compartilhe suas ideias, conhecimentos, opiniões e até sentimentos (por que não?), podendo inclusive iniciar uma relação pelo Tinder.

Enquanto no aspecto social a internet trouxe mudanças determinantes no modo de viver das pessoas, no aspecto de consumo não houve ainda uma mudança significativa que sustente uma quebra de paradigma. É inegável que, com a redução das barreiras geográficas promovidas pela internet, o alcance do comércio online ampliou-se para uma escala global. Porém, o conceito primário permanece inalterado: um produto continua sendo escolhido em uma prateleira de opções limitadas, só que agora é virtual.

Através do e-commerce, a internet potencializou a sociedade de consumo e sustentou o crescimento da produção em economia de escala. Portanto, deixamos de ser uma sociedade que — no passado — tinha restrições de escolha e consumia menos por isso; para nos transformar em uma sociedade que consome compulsivamente, mas com baixa criatividade se compararmos às possibilidades que temos. Há um volume de informações incomensurável a pouquíssimos cliques de distância e optamos por escolher um produto simplesmente pela sua marca ou “design moderninho”.

Com o desenvolvimento dos estudos ergonômicos e o avanço do design no cenário mundial, os objetos de desejo dos consumidores estão começando, devagarinho, a deixar de ser uma “peça de marca” e estão passando a ser um produto “sob medida” (produzido exclusivamente para mim!). Ao passo que o desejo de compra do consumidor torna-se mais customizado, o comportamento do mercado precisa se adaptar a essa nova realidade.

E qual é a solução para o desenvolvimento desse novo modelo de consumo? Não me atrevo a responder essa pergunta numa tacada só, mas arrisco indicar um caminho: comunicação em rede + produção aditiva.

Com a evolução das impressoras 3D, surge a possibilidade de uma real quebra de paradigma na metodologia de fabricação. Assim como o primeiro tear mecânico reduziu o tempo de produção e a necessidade de mão-de-obra no século XVIII, modificando completamente a estrutura produtiva daquela época; a impressão 3D pode redesenhar o comportamento das transações comerciais da atualidade, permitindo que produtores de pequena escala passem a dividir as fatias dos mercados próximos a eles.

É um sonho? Talvez ainda seja, mas acredito que a união de fatores presentes nas redes sociais e na produção aditiva poderá promover algo maior, algo utópico, que permitirá a pulverização dos centros fabris e uma aproximação do homem com a produção em menor escala.

O imaginário da Cammada está em uma grande rede de comunicação capaz de unir inúmeros micro fabricantes com o objetivo comum de fabricar produtos personalizados para atender à criatividade humana. Isso é comunicação produtiva.