#3 Cammaradas inspiradores

Bernardo Clarkson conta tudo sobre o mundo do design

Em um breve bate papo já é possível inspirar designers dentro da impressão 3D

               Bernardo Clarkson é sócio-Diretor de Projetos, e Gerente de Projetos e Desenvolvimento de novos produtos na Açoforte Brasil. Ele tem formação em Desenho Industrial – Projeto de Produto, pela PUC-Rio, e Erasmus na ESAD (Escola Superior de Artes e Design), em Portugal.

                Bernardo é filho de uma estilista e um engenheiro, sendo assim, a mistura só poderia ser: designer de produto. Multidisciplinar desde criancinha, trabalha em diferentes empresas tendo experiência em diversos segmentos, como na área gráfica, embalagens, mobiliário, modelagem/renderização 3d e impressão 3d.                               

                 Bernardo sempre foi muito observador, detalhista, comprometido com tudo ao seu redor e, portanto, com os projetos não poderia ser diferente!

Ele é viciado em futebol (arte) e um constante observador das aleatoriedades do mundo, no entanto, já é um aposentado dos esportes de prancha. Hoje iremos conversar com ele sobre o mundo do designer.

Como surgiu o interesse pelo design?

Acho que meus pais me influenciaram muito nisso sem perceber. Sou filho de um engenheiro e uma estilista, acho que se misturar os dois surge o design de produto (risos). Minha mãe sempre foi uma entusiasta do design. Na casa deles é cheio de produtos que são pura inspiração para o design.

Desde pequeno eu adorava quando meu pai chegava com um lego novo, uma bicicleta, um eletrodoméstico ou qualquer coisa que tivesse uma montagem. Claro que o presente me deixava feliz, porém eu gostava mais do processo de montagem ao brincar com o produto em si. E durante a montagem eu ficava tentando entender como aquelas peças eram feitas e porque elas tinham aquelas formas. E ficava louco quando entendia alguma solução simples que fazia uma enorme diferença no produto. Além disso, eu sempre ficava imaginando onde poderia ter uma melhoria na relação entre o usuário e o produto.

Ao entrar na faculdade pude aprender um pouco mais sobre os processos de fabricação, mas só trabalhando nas indústrias que pude realmente entender o “porquê” das coisas e vi que estava no caminho certo.

Como começou sua trajetória e como foram suas primeiras experiências no mercado de design?

Eu sempre tive interesse pelo design de maneira ampla, cheguei a cursar design de produto e gráfico ao mesmo tempo (acho importante essa multidisciplinaridade e acredito que ajuda a exercitar a criatividade também). Comecei estagiando em algumas empresas até ser efetivado na Clever Pack, um estúdio de design dentro de uma fábrica de embalagens plásticas. Lá foi um grande aprendizado e foi onde comecei a perceber a importância das nossas ideias no dia a dia das pessoas. Criamos algumas tampas que, além de funcionais, tinham um tremendo impacto ambiental, no sentido da redução de lixo e processos poluentes. Chegamos a ganhar alguns prêmios nacionais e internacionais com esses produtos. Uma dessas tampas está exposta no museu do design em Londres 🙂

Depois de lá trabalhei como projetista em uma metalúrgica focada em mobiliário que foi onde eu tive meu maior crescimento profissional, por isso, depois que fui trabalhar no INT – Instituto Nacional de Tecnologia, onde trabalhei com projetos bem inovadores para a Petrobras, voltei à fábrica como Gerente de Projetos e Desenvolvimento de novos produtos e é onde estou até hoje.

Quais tipos de projetos você mais gosta de fazer?

Os projetos que temos liberdade de criação e podemos pensar em tudo, do inicio ao fim, são os que mais me motivam. Lógico que um projeto nunca é feito 100% sozinho! Mas o que quero dizer é que o cliente ou o chefe que nos dá essa liberdade de criação pode ter certeza que terá um trabalho muito melhor se confiar em nosso trabalho. Pois um projeto é como se fosse um grande quebra-cabeças, as partes vão se juntando para formar um todo. Ou seja, tudo tem que ser muito pensado para não atrapalhar o resultado final. Por isso, às vezes, uma solicitação fora de contexto, por mais que você explique, pode acabar com todo um projeto e conceito de um produto.

Como é o seu processo criativo?

Primeiro eu tento entender o que o cliente quer, pois muitas vezes nem é exatamente um produto que ele está querendo (risos). Mas busco o máximo de informações para saber quais são os principais requisitos necessários para atender à sua necessidade. Com as informações, começo a pesquisa de similares, para ter uma ideia geral do que já existe. E avalio os prós e os contras de cada um relativo ao projeto em questão.
Busco muito em referências fora de contexto para desenhar alguma peça ou detalhe no objeto. Acho que nossa cabeça tem que estar atenta e observando tudo a nossa volta, a todo o momento, por causa disso. Precisamos estar com a mente aberta e buscando novos conhecimentos para aumentar nosso repertório cognitivo. Tudo serve de referência para a criação de um produto! Adoro fazer desenhos abstratos quando estou no ócio criativo. Consigo tirar muitas formas e ideias a partir dali.

Então faço inúmeros sketchs básicos para escolher alguns poucos e passar para o modelo virtual. Que é aí que o cliente começa a entender melhor o produto e podemos partir para algumas alterações antes de enviar para a produção. E a impressão 3d entra exatamente aí, entre o virtual e a peça final, ela entra como um mockup ou protótipo, onde podemos ter um modelo volumétrico que nos dará mais noção do real.

Vamos falar sobre alguns dos projetos que mais empolgaram você.

Eu sempre gostei de desafios, portanto, já participei de projetos bem distintos em minha carreira. Mas no contexto de impressão 3d, acho que foi o tap handle da Cervejaria Hocus Pocus, pois é de uma marca de cerveja que eu gosto muito! E que nos obrigou a aprender algumas coisas de maneira rápida como sentido do filamento, resolução, tipo de preenchimento interno para dar mais resistência, etc. Tivemos que pensar numa forma de fixação da rosca e como trocá-la de maneira rápida e simples para poder usá-la em outras torneiras.

Outro projeto interessante foi o brinde para a marca de roupa feminina Acquawear, onde tivemos total liberdade para pensar no produto e conceito. O resultado ficou bem legal! 🙂

E teve uma para a Globo também, que fizemos um suporte para dois smartphones filmarem ao mesmo tempo. Nesse já criamos pensando em caso o cliente quebrasse uma peça no futuro, como ele poderia repor apenas entrando em nosso site, subindo o arquivo e pedindo a impressão da maneira mais simples possível!

Qual a importância do designer para a tecnologia da impressão 3D?

A impressão 3d não vive sem o designer e qualquer outro profissional que “alimente” ela. Ao meu ver, a impressão 3d é uma excelente ferramenta para diversas áreas, porém ela não é uma máquina industrial que produz a mesma peça em série. E acho que o grande diferencial dela é justamente esse, poder produzir peças específicas, personalizadas e únicas de maneira rápida. Então, precisamos de mentes criativas que estejam a todo momento criando trabalhos para ela, para que seja necessario estar sempre produzindo algo novo.

A pergunta mais batida do mundo… Mas vamos lá: Quais são seus maiores ídolos/ influências como designer dentro do mercado da impressão 3D? E por que?

Dentro da impressão 3d ainda não tenho ídolos, acho que é uma tecnologia muito recente para isso (risos). Mas acho que tem um ídolo meu que se daria muito bem com a impressão 3D, que é o Theo Jansen. Ele faz escultura cinéticas incríveis! Quem ficou curioso, dá uma procurada no nome dele.

Agora, influencias, tenho bastante, mas minhas preferidas no mercado de impressão 3D são a UAU Project (empresa polonesa que cria objetos impressos em 3D muito bonitos) e muita gente que faz peças incríveis e disponibiliza no Thingiverse. Tem muita gente boa lá!

Se pudesse prever o futuro, que tipo de avanço gostaria de ver no design para os próximos 10 anos?

No design… Acho que uma interação cada vez maior com a prototipagem rápida. Acho que isso pode crescer bastante nos próximos anos. Na nossa área de produto, essa tecnologia é muito útil e acho que é um excelente investimento de uma indústria, principalmente.

Que conselho você daria para as pessoas que querem começar a criar peças gráficas, especialmente criar peças dedicadas à impressão 3D?

Não coloque limites na imaginação. Imagine, sonhe, crie e nos conte esse sonho que nós materializamos ele pra você! 😉

 

 

#1 Cammarada do planeta

3 provas de que a impressora 3D é amiga do meio ambiente

Já imaginou a quantidade de estoque parado no mundo? Vamos falar sobre isso!

Nos anos 1990 surgiu o desenho Capitão Planeta, onde o herói era convocado junto com sua equipe (cada um representava um elemento da Natureza, sendo um deles o coração) a ir atrás de problemas ambientais, frequentemente provocados pela ação irresponsável do ser humano, combatendo grandes corporações. Infelizmente, é apenas um desenho.

Mas nem tudo está perdido! A impressora 3D veio para ajudar a Terra e nós vamos provar para você que isso é mais real do que você imagina. Vai, Planeta!

Como a tecnologia 3D fabrica produtos sob demanda, ela evita o desperdício de materiais utilizados para produção de um produto industrializado. Além disso, ela reduz a poluição, já que gasta menos, em média, para se produzir, armazenar e transportar determinada peça ou produto.

A impressora 3D é um importante instrumento para que nossa sociedade mude a sua forma de consumo e crie atitudes que agridam menos o meio ambiente. Separamos 3 provas de que a impressora 3D é amiga desse mundão, se liga.

1 . Estoque zero

Estoque é dinheiro parado. Seja pelo espaço ocupado a toa, seja pelo investimento em um produto que está sendo depreciado pelo tempo ou seja pelo custo de oportunidade de investir em algo que seria vendido mais rápido.

Produtos são feitos para serem consumidos e utilizados. É assim que a empresa atende os seus clientes, obtém retorno econômico e sobrevive. Se o que é produzido não é consumido, a empresa acumula estoque, que é um dos principais indicadores de um sistema produtivo com problemas.

O custo financeiro de capital parado (e não vendido) é o desperdício mais evidente para as empresas, mas o estoque nos mostra vários outros problemas. Por exemplo, a existência de uma cadeia produtiva que está superdimensionada e acaba fabricando mais do que é demandado pela sociedade, agravando a produção de lixo e poluição.

2 . Correção na prototipagem

Em um processo produtivo, o ideal é produzir certo logo na primeira vez. Pois assim, é claro, não será preciso gastar tempo e dinheiro produzindo de novo. O criador do Sistema Toyota de Produção, Taiichi Ohno, considera que o “retrabalho” é um dos maiores desperdícios a serem evitados nas organizações tradicionais: gastar tempo, gente e recursos para corrigir ou refazer o que já foi feito.

Testar, antecipadamente, uma ideia permite a identificação de problemas e funcionalidades no início na concepção de um novo produto. É inegável que isso diminui o desperdício de material nas fases subsequentes. Por exemplo, vários parâmetros podem ser checados quando ainda está em fase de prototipagem e, caso encontre alguma inconsistência, a correção pode ser feita rapidamente e o protótipo reimpresso em 3d.

3 . Redução da pegada de carbono

Você viu o trânsito hoje? Quem atua com logística sabe o custo e o trabalho que se tem para movimentar materiais de um lugar para o outro. Então, é um desperdício enorme fazer o transporte de qualquer tipo de peça que ainda vai ficar esperando alguns meses por um demandante – seja ele o consumidor final ou um fornecedor intermediário.

Para se fabricar um produto, por exemplo, um brinquedo, a empresa fabricante tem uma rede de fornecedores que ofertam partes desse brinquedo. Cada fornecedor da rede representa uma parte desse processo. Uma empresa fornece um adesivo, outra fornece o corpo plástico do brinquedo, uma terceira empresa fornece as rodinhas deste brinquedo, etc. É uma grande rede de fabricantes.

A impressão 3D permite uma produção sob demanda, o que elimina a necessidade de transporte de produtos. Ou seja, se reduzirmos a oferta desnecessária de peças intermediárias, reduziremos a fabricação gerada pelas diferentes etapas de produção desses produtos, logo, menos transporte será utilizado. Consequentemente, como vivemos em um contexto com elevado consumo de energia fóssil, as emissões de carbono irão reduzir de forma drástica.

Conclusão

Agora você está entendendo por que levamos a impressão 3D tão a sério?

Atualmente, pensar na perpetuidade do nosso planeta é obrigatório para qualquer empresa e a impressão 3D veio para diminuir alguns impactos do sistema fabril no meio ambiente. A Cammada acredita que a sustentabilidade deve ser um fator relevante na rotina das cadeias produtivas. Pequenas, médias e grandes empresas têm um papel importante na disseminação desse pensamento!

Em breve os consumidores poderão devolver produtos quebrados e receberão um novo. Os produtos serão feitos sob demanda usando as impressoras 3D e majoritariamente materiais reciclados. A cadeia produtiva será eficiente, sustentável e diversificada o suficiente para fabricar qualquer ideia humana. Sonhar não custa nada… Temos muito que avançar ainda, mas vamos pensando aí nas possibilidades, pois o futuro já se aproxima. O poder é de vocês!

Fontes: Blog Fazedores, Brasão sistemas, Época Negócios, Abiplast e Wikipédia.

 

 

#1 Cammaradas inspiradores

João Faro conta sobre o mercado da impressão 3D

A entrevista traz uma reflexão sobre como a tecnologia pode mudar a

vida das pessoas

João Pedro é engenheiro de produção, formado pela UFF. Além de sócio-fundador da Cammada, trabalha na Petrobras desde 2012 com gestão orçamentária, mapeamento de processos e desenvolvimento de indicadores. Nas horas vagas gosta de beber um vinho com os amigos e conversar sobre as contradições desse mundo louco.

Neste mês ele vai nos contar um pouco sobre a sua experiência sobre o mundo da impressão 3D.

João, como foi seu primeiro contato com a impressão 3D?

Meu primeiro contato ocorreu quando estava pensando em criar uma empresa inovadora. Eu me reunia semanalmente com amigos formados em Design e eles me mostraram vídeos de impressoras 3D. Inicialmente, achei uma coisa mágica, fantástica, uma oportunidade incrível de mudar o modelo industrial de fabricação que existe desde o século XIX.

Qual é a relação da impressão 3D com a indústria?

A impressão 3D é um novo processo de fabricação, é uma mudança de paradigma. A indústria tradicional funciona de dentro para fora, ou seja, seu corpo técnico utiliza tecnologias e patentes para desenvolver produtos a serem ofertados ao mercado consumidor. Tivemos avanços no século XX, com análise de demanda, produção puxada e processos just in time, mas ainda temos um fluxo de desenvolvimento da indústria para o consumidor.

No entanto, com os avanços tecnológicos na comunicação, nos softwares e nas redes, o desenvolvimento fora da indústria começa a ser altamente relevante. Hoje existem pessoas comuns, alunos, estudantes, profissionais autônomos, startups com capacidade de desenvolver produtos fantásticos de dentro das suas casas. A impressão 3D permite uma verdadeira mudança no fluxo de desenvolvimento, onde qualquer pessoa pode inventar um produto e produzi-lo.

O que você acredita ser o maior potencial da impressão 3d para o mundo?

No curto prazo, o maior potencial é a autonomia. Já parou pra pensar que o seu vizinho da direita é criativo e o da esquerda tem uma impressora 3D? Uma indústria menos centralizada irá gerar maior autonomia aos profissionais, seja para colocar a criatividade em prática, seja para ser menos dependente do modelo tradicional de fabricação.

Quais oportunidades de mercado essa tecnologia traz de bom para o Brasil?

O Brasil ainda está muito atrasado… Os profissionais que buscam inovação têm pouquíssimas opções aqui. A impressão 3D apresenta uma novidade ao brasileiro, que é um povo muito criativo.

Uma coisa boa para nós é que o mundo inteiro está aprendendo sobre a impressão 3D. Temos a chance de agarrar essa oportunidade e não ficarmos tão descolados dos EUA e Europa. É claro que eles já largaram na frente, em função do estoque de tecnologia que possuem, mas ainda tem muito espaço para crescimento.

Pensando no fator tempo, como você avalia a eficiência x eficácia da impressão 3D para uso em prototipagem?

A prototipagem é uma etapa essencial para validação de um produto em fase de desenvolvimento. É com o protótipo que o engenheiro se depara com os problemas da peça projetada. A impressão 3D abre um universo novo para testes. Primeiro porque o próprio projeto digital pode ser produzido sem nenhum tipo de molde e, segundo porque é extremamente rápido.

Um protótipo pode ser impresso em 3D em algumas horas e encaminhado ao departamento de testes. Se inconsistências forem verificadas, basta o engenheiro corrigir o modelo digital e solicitar nova impressão 3D do protótipo. Isso torna o processo de validação muito mais fluido.

O que você vê no mercado  de impressão 3D que tem ainda que evoluir?

Como toda tecnologia emergente, ainda há espaço para avanços. As impressoras 3D não são simples de usar como uma impressora de papel, é preciso de conhecimento técnico para operar. Com o tempo, acredito que se tornará mais fácil. Outro ponto é o tempo de impressão. Embora tenhamos tido avanços significativos nos últimos anos, esse é um fator a ser vencido para produção em média escala.

Conte um pouco sobre o valor agregado da impressão 3d.

A impressão 3D permite agilidade e flexibilidade, acho que esses são os maiores valores. Agilidade porque se você mudar seu projeto por qualquer motivo, basta imprimir outro mais inovador e atualizado. E flexibilidade porque você pode fabricar o produto que quiser, seu limite é apenas sua própria criatividade!

A tecnologia de impressão 3D cresce cada dia mais, qual foi a impressão que te surpreendeu nos últimos meses?

Vou falar de um projeto nosso, olha o jabá! Fizemos um trabalho muito bacana para uma matéria do Esporte Espetacular, na Globo. Pegamos uma sequência de imagens do gol do jogador de futebol Roger e imprimimos em alto relevo. Essa série de “fotos em braile” foram entregues a filha do jogador, que é cega. É emocionante o que a impressão 3D proporciona! A impressão 3D não é uma questão tecnológica, é uma questão de libertação criativa.

A impressão 3D está cada vez mais popular, transformando negócios e deixando a vida de quem depende de prototipagem cada vez mais fácil. Qual é o projeto que você ainda sonha em participar?

O projeto que eu sonho participar é a Cammada. Eu sonho é que todos possam viabilizar suas ideias. Acho que precisamos mudar nossa forma de sonhar, o “ter” precisa dar espaço ao “construir”. O ser humano é muito criativo pra ficar limitado às prateleiras.

 

 

#3 Protótipos impressos em 3d

Marcas que já usaram a impressão 3D e lucraram

A influência da tecnologia muda a rotina e desenvolvimento de seus produtos

Não é de hoje que a impressora 3D está sendo utilizada por empresas para criar peças. As impressoras 3D podem ter sido consideradas uma inovação há pouco tempo, mas a tecnologia tem se tornado cada vez mais importante não apenas na indústria, como uma forma de produzir produtos, mas também uma ferramenta de marketing para as marcas.

Os clientes estão incorporando a impressão 3D em suas ações de várias maneiras, algumas divertidas, e outras bastante úteis. A tecnologia conquistou o coração de algumas marcas e nós separamos 11 cases geniais para mostrar para vocês.

  • Coca Cola

EKOCYCLE é uma iniciativa do cantor will.i.am e da Coca-Cola dedicada à conceção de produtos criativos a partir de materiais como o plástico e, simultaneamente, promover a reciclagem e a sustentabilidade destes materiais. A sua ideia principal é uma impressora 3D que pode transformar garrafas pet de Coca-Cola em coisas úteis ou criativas, desde uma jarra até uma capa para telemóvel 100% sustentável.

A impressora amiga do meio ambiente possui 25 desenhos programados (brinquedos, sapatos, pulseiras e um grande et cetera) para a impressão. Esta foi uma iniciativa de 2014.

Foto: Reprodução

  • L’Oreal

Graças à pressão de grupos em defesa dos direitos dos animais, testes clínicos envolvendo bichinhos têm diminuído ao longo dos anos. Por outro lado, efeitos de cosméticos ou remédios ainda precisam ser extensamente avaliados antes que o produto vá para o mercado. Para tentar contornar este problema, a marca L’Oréal está investindo pesado para imprimir pele humana.

Parece bizarro, mas desde os anos 80 a empresa realiza pesquisas com sobras de pele de cirurgia plástica a fim de desenvolver novas tecnologias para testes de toxicidade e eficácia. Para tentar suprir a demanda por pele humana, a empresa fez uma parceria com a Organovo, líder em impressão 3d de tecidos humanos. A maior vantagem é a velocidade da produção e o nível de precisão que a impressão 3d pode atingir.

Fonte: Imagem do filme de Almodóvar A pele em que Habito

  • Adidas

Em 2017 a marca Adidas lançou um tênis com a sola feita em impressora 3D. A edição limitada, chamada de Adidas x Parley, foi feita a partir de plásticos reciclados retirados de redes de profundidade ilegal pela Sea Shepherd no Oceano Antártico. Apenas foram 50 pares disponibilizados para venda, e outros pares através de concursos no Instagram.

A Adidas se mostrou empolgada com o projeto, que pode resultar em novos produtos, uma vez que, de acordo com a empresa, o plástico retirado do oceano foi transformado em fibras de fios técnicos que podem facilmente ser integrados a produtos. O tênis é apenas um de uma série de inovações da marca buscando tecnologias mais amigáveis ao meio ambiente.

Rivais como Nike, Under Armour e New Balance também estão experimentando a impressão 3D, mas até agora têm usado a tecnologia apenas na produção de protótipos, calçados personalizados para atletas patrocinados e produtos de alto valor. Vamos torcer para que vire moda!

Foto: Reprodução

  • Nike

Em abril de 2018 a Nike estava presente no evento em Londres em uma parceria com o projeto colaborativo com o atleta Eliud Kipchoge – um dos corredores que tentou quebrar a maratona de menos de duas horas.

Seu principal feedback foi que a parte superior absorvia a água do sapato, tornando seus tênis mais pesados ​​à medida que ele percorria o percurso. Os designers da marca deram início a uma fase de prototipagem rápida, onde passaram por milhares de possibilidades superiores antes de imprimir variações para cada protótipo. O processo de design para os sapatos começa com dados retirados dos atletas, incluindo a marcha e a forma do pé. Isso não apenas significa um sapato feito sob medida, mas a Nike observa que, através da impressão, pode fabricar sapatos 16 vezes mais rápido do que em qualquer método de fabricação anterior.

Foto: Reprodução

  • Electrolux

A multinacional de eletrodomésticos, a Electrolux, está realizando um estudo de viabilidade para peças de reposição sob demanda feitas em impressora 3D que podem ser fabricadas e distribuídas sob demanda. O objetivo é reduzir os custos de estoque e os prazos de entrega. Com isso resulta em cliente feliz quando é necessária manutenção e reparo na máquina de lavar quebrada que não é mais fabricada, por exemplo.

As peças mantidas em estoques, geram custos trabalhistas e de manutenção. Além disso, algumas peças ficam acumulando poeira no estoque até que elas sejam descartadas e os custos podem aumentar se as peças não puderem ser fornecidas através de métodos de produção em massa. A Electrolux está explorando a possibilidade dessas peças serem feitas em impressora 3D.

Fonte: All 3DP

  • Versage  

As impressoras 3D entraram definitivamente no universo da moda. Estilistas inovadores e arrojados já estão utilizando o equipamento 3D para produzir looks diferentes e ousados, com combinações próprias. A criatividade é o carro-chefe desses designers de roupas modernas, que usam padrões geométricos para criar peças, como blusas que contêm detalhes feitos através da impressão 3D.

O último baile do MET tinha como tema Manus x Machina: Fashion in an Age of Technology. Respeitando essa ideia, a Versace criou para atriz, Kate Hudson, um vestido longo e branco inspirado nos modelos de noiva, e montado a partir de uma série de pequenas peças que foram feitas com a impressora 3D.

Fonte: Reprodução

  • Chanel

Os equipamentos mudaram a forma como os designers de moda estão trabalhando ao redor do mundo. As inovações estão surgindo no setor, que está sendo reativado através de possibilidades que não eram sequer imaginadas há alguns anos.

Iris van Herpen – Verão 2015 é o nome da coleção da Chanel, onde o desfile foi um destaque porque 10 looks da coleção foram criados usando a impressão 3D.

Fonte: Reprodução

  • Volkswagen

Em abril, o modelo Volkswagen Polo e a DDB Copenhague transformaram os consumidores em designers de carro. A campanha “The Polo Principle” convidou o público a assumir o controle, por meio da internet, da impressora 3D da montadora – a mesma usada na criação do modelo Polo original – para desenvolver sua própria versão do carro.

As 40 ideias mais criativas foram impressas e exibidas em Copenhague, em maio, e depois os designers puderam levar suas criações para casa. Mas o melhor ainda estava por vir: o grande vencedor viu sua criação se tornar um Polo de verdade.    

Fonte: Reprodução

  • Huggies

Com o avanço da tecnologia, hoje é possível que as mamães consigam ver o rosto dos seus bebês ainda no útero, graças ao ultrassom 3D. Porém, as grávidas que possuem deficiência visual só poderiam saber como são os seus bebês depois de nascerem.

Com isso, surgiu a ação #ContandoosDias para a marca de fraldas Huggies. A ideia era utilizar a tecnologia de impressão 3D para que as mães com deficiência visual possam “ver” seus bebês antes do tão esperado nascimento.

Fonte: Impressora Blog

  • DVV

A seguradora belga DVV e a Happiness Brussels mostraram quão útil a impressora 3D pode ser para os consumidores, em especial os esquecidos. A companhia criou o serviço “Key save”, que permite que os clientes digitalizem suas chaves e guardem os dados num servidor seguro.

Sempre que eles perderem suas chaves, eles poderão levar os dados até uma impressora 3D e criar uma nova. Esse é um benefício não só para os clientes, como para as companhias que perdem dinheiro anualmente repondo as chaves perdidas.

Fonte: Printer World

  •  Nokia

A Nokia também se rendeu a tecnologia e louçou uma iniciativa inédita entre fabricantes de smartphones: a possibilidade de “imprimir” capas para o Lumia 820. A companhia disponibilizou em seu site oficial toda a documentação e os arquivos necessários para que qualquer pessoa com uma impressora 3D possa substituir a traseira do seu smartphone.

Para John Kneeland, gerente de marketing para desenvolvedores da Nokia, a iniciativa pode permitir grandes avanços no futuro, especialmente no que diz respeito à personalização dos produtos. “[…] Você quer um celular à prova d’água, que brilha no escuro, com abridor de garrafas e um carregador solar? Alguém pode fabricar – ou você pode imprimi-lo sozinho!”. Ele está certíssimo! O futuro é todo nosso!!

Fonte: Reprodução

 

 

MAST realiza exposição – 3D Imprima o Futuro

A exposição demonstra inúmeras aplicações da tecnologia de impressão 3D reunindo mais de 100 peças impressas.

Com a parceria da Cammada e outras instituições ligadas a impressão 3D, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) reuniu mais de 100 peças impressas para divulgar aos visitantes essa incrível tecnologia. As peças são resultados de pesquisas e ideias desenvolvidas por instituições brasileiras de ponta, e exibe vídeos para que os visitantes conheçam, além do processo de criação de diversos modelos tridimensionais, a opinião de cientistas, empresários e criadores sobre as muitas aplicações atuais dessa técnica e seus potenciais usos no futuro.

A diretora do MAST, Heloísa Bertol, ressalta “o objetivo da exposição é ampliar o acesso da população ao conhecimento científico e tecnológico”. Algo que a MAST faz com excelência ao compartilhar no mesmo ambiente a exposição da história tecnológica da astronomia com lunetas centenárias.

Isso torna-se mais interessante quando notamos dentro da exposição que a própria tecnologia da impressão 3D foi utilizada para documentar a situação de conservação da luneta Bamberg antes da realização do procedimento de restauração.  Segue a imagem abaixo:

Outras aplicações apresentadas e já muito discutidas aqui no blog são as impressões 3D utilizadas na área de medicina. A exposição exibe impressões 3D de órgãos com tumores e como informa como essa tecnologia é funcional para pesquisas, como instrumento cirúrgico e na prevenção. Segue abaixo a imagem de uma dessas peças:

Para entender melhor a proposta apresentamos um vídeo que é transmitido na exposição, com nosso membro (co-fundador) João Pedro Faro, explicando sobre as vantagens que a tecnologia de impressão 3D oferece a sociedade:

Mais fotos da exposição:

 

Horários para visitação:

Terça à sexta: 9h às 17h

Sábado: 14h às 19h

Feriados: 14h às 18h.

 

Impressão 3D Descomplicada: Infill

Quando se fala de impressão 3D e seus conceitos básicos, infill é um conceito que logo é lembrado. Isso por que ele está diretamente associado à sustentação das peças impressas em 3D, fazendo com que seja possível imprimir peças mais fortes e resistentes de maneira mais econômica, por assim dizer.

Já falamos de camada também aqui no #3Descomplicado, confira aqui.

Infill: O que é?

Infill nada mais é que preenchimento, na tradução literal. É a estrutura interna da impressão.
Essa estrutura pode variar em densidade e forma, tudo depende da peça em questão.  A variação da densidade dessa estrutura que faz com que as peças sejam mais, ou menos resistentes 😉

Já parou para pensar quanto material seria desperdiçado se tudo que é impresso fosse sempre totalmente preenchido internamente, ou seja, maciço? Pois é, nem sempre é necessário um reforço tão intenso, e é aí que entra as variações de densidade de infill. Quanto mais denso, mais resistente.

Densidade de infill. Foto: Deviantart.

Para saber mais sobre densidade de infill, clique aqui. Ou a variação de formas, confira mais aqui.